Subject: somos todos um
Date: Sun, 29 Oct 2006 13:41:32 -0300
Muito
interessante.
- Quando nos
colocamos no papel de vítimas das grosserias e
exigências de nossos filhos, esquecemos que eles
aprenderam seus valores conosco.
Leio numa revista de Nova Iorque que os jovens ali só
falam em dinheiro e em pessoas famosas. As moças gostam
de sair com os rapazes mais populares, o que tem
significado muito variado e pode inclusive querer dizer
que tais moços são mais competentes para assaltar ou
para conseguir drogas. No Brasil, são freqüentes as
notícias sobre violências cometidas por jovens de boa
condição econômica - e não raramente contra seus
próprios pais ou parentes próximos. Na maioria dos
casos, o que está em jogo é o dinheiro: eles sempre
exigem mais, enquanto seus pais decidem regular a
quantia a eles destinada. Sentem-se indignados, como se
estivessem sendo roubados! Reagem com agressividade a
essa impressão que, claro, não corresponde à realidade.
Os pais se queixam de que os moços de hoje são muito
diferentes. Eles são apáticos, indiferentes a tudo e a
todos, sem garra e com a ambição totalmente voltada para
as coisas materiais. Não têm projetos para o futuro.
Sonham apenas em ficar ricos e famosos, mas não percebem
que tais recompensas representam o futuro de um esforço
prévio.
Qual a origem desse comportamento? É preciso averiguar
se, de fato, nossos jovens são mais violentos e
propensos às transgressões do que os das gerações
anteriores. Não creio que nossa espécie venha se
deteriorando. Acredito, porém, que somos muito
influenciados pelo meio em que crescemos. Somos
educados, mais pelo que observamos do que pelo que
ouvimos. As pessoas sempre tiveram propensão para levar
vantagem e para uma relativa falta de sentido moral -
entendido como um freio interno que nos impede de
praticar ações que reprovamos.
Acontece que, atualmente, muitas crianças crescem vendo
seus pais, seus irmãos mais velhos ou outros parentes se
vangloriando do mal que fizeram a outras pessoas e de
como isso foi lucrativo. Não podemos nos preocupar
apenas com dinheiro e fama e depois querer que nossos
filhos se interessem pelo conhecimento e passem as
noites tentando desvendar os segredos da Física e
Matemática.
Eles ficarão fascinados pelas mesmas coisas que percebem
ser relevantes em casa. Os valores dos nossos jovens são
os da nossa cultura materialista e incrivelmente voltada
para a busca de glórias a qualquer preço. Eles
aprenderam conosco a encarar as coisas dessa forma.
Depois, como se não tivéssemos nada a ver com a
história, nos encontramos no papel de vítimas de suas
grosserias e exigências.
Talvez a única característica efetivamente própria desta
geração seja a indolência. Não os vejo muito animados
nem mesmo para perseguir objetivos sexuais, antes o
motor principal da nossa espécie. São passivos, talvez
em conseqüência do hábito de assistir TV o tempo todo -
não precisam tomar nenhum tipo de iniciativa a não ser a
de mudar os canais. Preguiçosos, ambiciosos e
materialistas: eis uma mistura explosiva que constitui a
maioria da nossa juventude.
Assistimos ao agravamento dos comportamentos
anti-sociais, a uma piora na postura moral e à abertura
para a conduta delinqüente. Tudo isso é muito facilitado
pelo uso de drogas, tão ao gosto dos que já não são
muito esforçados. O grau de violência que temos
presenciado é ainda pequeno perto do que podemos
esperar, dadas as condições em que eles estão sendo
criados. É urgente rever os valores que estamos
transferindo para os nossos filhos.